Afrouxando a vergonha por meio da percepção do não-eu

A vergonha requer um eu fixo e unitário que falhou — a prática de anatta reduz o alvo de que a vergonha precisa.

Why it works

A vergonha é a sensação de que se é fundamentalmente defeituoso como pessoa — não que se fez algo ruim, mas que se é ruim. Isso requer um eu reificado e fixo para que o julgamento pouse. A percepção de anatta não elimina a responsabilidade — ela revela que "eu sou ruim" é uma construção cognitiva adicionada a um evento, não um fato lido diretamente do evento. A culpa ("eu fiz algo prejudicial") pode permanecer; a vergonha ("eu sou defeituoso") perde seu alvo.

How to do it

  1. Quando a vergonha surgir, nomeie o evento ou comportamento específico: "Eu fiz X."
  2. Note o salto do evento para o autojulgamento: "...portanto eu sou uma pessoa tipo X."
  3. Pergunte: "Este autojulgamento está descrevendo um fato fixo, ou é uma história que estou adicionando?"
  4. Permita a responsabilidade pela ação enquanto investiga a permanência da identidade que ela implica.

Evidência

Distinguir culpa (focada no comportamento) de vergonha (focada no eu) e reduzir a última preservando a primeira é um objetivo clínico estabelecido em psicopatologia baseada em vergonha. Intervenções de autocompaixão alcançam isso afrouxando a autoidentificação severa. (clinical)

Tangney e Dearing estudam vergonha/culpa em geral; o mecanismo de anatta é uma análise budista de por que a vergonha requer um eu reificado.

Fontes

Erro comum

Usar anatta para escapar da responsabilidade ("não há eu, então nada é minha culpa") — a percepção tem como alvo o autojulgamento reificado, não a responsabilidade comportamental.

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