O diálogo escrito — o diálogo interior como exercício filosófico

Escreva um diálogo entre você e um interlocutor sábio imaginado sobre uma questão com a qual você genuinamente luta.

Why it works

Hadot mostra que a escrita como exercício filosófico — exemplificada pelas Meditações de Marco Aurélio, que eram cadernos privados — cumpre uma função específica: torna explícito o pensamento implícito e o submete ao exame. A forma de diálogo obriga as duas posições a serem declaradas claramente, impede a ruminação unilateral e gera o vaivém que revela a estrutura real de um problema. Marco escrevia para si mesmo como meio de autoformação, não apenas de autoexpressão.

How to do it

  1. Escolha uma questão sobre a qual você esteja genuinamente incerto — não para conselho externo, mas para sua própria clareza.
  2. Escreva-se como Interrogador; escreva um interlocutor sábio e paciente (pode ser uma pessoa real que você admira, ou uma figura ideal) como Respondente.
  3. Deixe o Respondente fazer-lhe perguntas de clarificação em vez de fornecer respostas diretamente.
  4. Continue até chegar a uma posição que seja sua — não emprestada do Respondente.

Evidência

A escrita expressiva e a autorreflexão estruturada mostram efeitos consistentes no processamento emocional e no insight em populações clínicas e não clínicas; a forma de diálogo acrescenta o elemento do interrogatório socrático. (clinical)

A pesquisa de Pennebaker trata da escrita expressiva de forma geral; a forma de diálogo especificamente é uma reconstrução de Hadot e não foi comparada diretamente a outros formatos de diário.

Fontes

  • Pennebaker, J.W. (1997), Writing about emotional experiences as a therapeutic process, Psychological Science

Erro comum

Escrever o diálogo de forma que confirme o que você já pensa — fazendo o Respondente endossar sua posição inicial em vez de pressioná-la.

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