A Filosofia Perene, Tornada Prática

O núcleo contemplativo comum através das tradições — e como aplicá-lo sem dogma

O que é a filosofia perene e como vivê-la?

Perene, nesse sentido, significa recorrente através de eras e culturas — uma afirmação sobre o que continua reaparecendo independentemente, não sobre o que foi confirmado experimentalmente. A filosofia perene, nomeada por Leibniz como philosophia perennis e sintetizada para leitores modernos por Aldous Huxley em 1945, identifica um núcleo interior comum sob as tradições místicas e contemplativas do mundo: um fundamento divino ou último subjacente a toda a existência, cognoscível através da experiência direta; uma natureza interior nos seres humanos capaz desse conhecimento; e uma ética de amor e compaixão como a expressão natural dessa realização. É importante ser exato quanto ao seu estatuto: isso é filosofia e religião comparada, não ciência. Faz afirmações metafísicas que nenhum experimento testa, e sua evidência é a convergência textual entre tradições, não a medição. O que a ciência de fato aborda é mais estreito e separado — os efeitos psicológicos das práticas contemplativas que essas tradições compartilham, que têm suporte observacional crescente e algum suporte experimental. Confundir essas duas coisas é o erro mais comum cometido sobre o termo.

Em 1945, Aldous Huxley publicou A Filosofia Perene — um levantamento da literatura mística das tradições cristã, sufi, hindu, budista, taoísta e indígenas, argumentando que todas apontavam para as mesmas verdades fundamentais. Ele não estava afirmando que elas são idênticas em doutrina, mas que sob as diferenças doutrinárias há um núcleo prático comum: conhecimento interior direto, a dissolução do eu isolado e a consequência ética de perceber a conexão com os outros. Essas práticas destilam esse núcleo em forma aplicável — retirando o dogma, mantendo o mecanismo. O próprio termo é mais antigo que Huxley: Gottfried Leibniz usou philosophia perennis no século dezessete para a filosofia que continua recorrendo, e é esse o sentido que a palavra carrega — perene como em reaparecer independentemente através das eras, não perene como em verificado. Vale a pena declarar os limites com clareza, porque a afirmação costuma ser exagerada em ambas as direções: a tese perenialista é contestada dentro dos estudos religiosos, onde estudiosos apontam que ler tradições distintas como dizendo uma única coisa pode achatar o que de fato difere entre elas. Nada aqui resolve esse debate, e nenhum experimento poderia. O que pode ser examinado empiricamente é uma questão diferente e mais estreita — o que as práticas compartilhadas fazem à atenção, ao estresse e ao senso de self — e é aí que se aplicam as notas de evidência em cada prática abaixo.

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