Má-fé no existencialismo: identifique-a em você mesmo
A má-fé (mauvaise foi) é o nome de Sartre para negar a própria liberdade — tratar a si mesmo como fixado por papel ou circunstância quando, de fato, você está escolhendo.
Why it works
A má-fé — mauvaise foi — é o conceito que Jean-Paul Sartre desenvolve em O Ser e o Nada (1943) para um tipo específico de autoengano: negar a própria liberdade tratando-se como uma coisa fixa, em vez de uma consciência que escolhe. Sua ilustração é o garçom de café cujos movimentos são um pouco precisos demais, encenando ser garçom como se o papel fosse sua natureza, e não algo que ele assume a cada manhã. Isso se encaixa na afirmação mais ampla de Sartre de que a existência precede a essência: como não há uma natureza humana dada a que apelar, recusar a escolha já é, em si, uma escolha. A má-fé se disfarça de necessidade ("eu tenho que", "não há alternativa", "eu sou assim mesmo") quando, na realidade, é uma escolha cujos custos você não quer assumir. Reconhecer a má-fé cria o desconforto de assumir responsabilidade — que é exatamente o ponto. Isso se sobrepõe ao construto de locus de controle: o locus interno (eu escolho) está associado a melhores resultados do que o locus externo (isso acontece comigo).
How to do it
- Quando você se pegar dizendo "eu tenho que" ou "não tenho escolha", pare.
- Pergunte: isso é de fato verdade, ou é uma escolha cujos custos eu não quero assumir?
- Reformule a frase como escolha: "Estou escolhendo [X] porque [razão real]."
- Perceba o desconforto — esse é o peso da propriedade — e permaneça nele em vez de se refugiar na necessidade.
Evidência
O locus de controle interno — acreditar que suas ações determinam os resultados — está associado a melhores desfechos psicológicos e comportamentais em múltiplos domínios. A má-fé é o nome sartreano para a posição de locus externo quando você é, de fato, livre. Uma meta-análise de locus de controle no trabalho (Ng, Sorensen & Eby, 2006) confirma, em muitos estudos, que uma orientação interna prediz melhor bem-estar e desempenho, quantificando o padrão que Sartre nomeia. (observational)
A literatura de locus de controle é real; o enquadramento sartreano vai além filosoficamente. Algumas situações realmente restringem a escolha de forma severa; a "má-fé" não pode virar uma ferramenta de culpa aplicada a pessoas sob restrição estrutural real.
Fontes
- Rotter, J. B. (1966). Generalized expectancies for internal versus external control of reinforcement. Psychological Monographs: General and Applied, 80(1), 1-28.
- Ng, T. W. H., Sorensen, K. L., & Eby, L. T. (2006). Locus of control at work: A meta-analysis. Journal of Organizational Behavior, 27(8), 1057-1087.
Erro comum
Usar a má-fé como conceito de autopunição — "estou em má-fé, logo sou fraco". O ponto de Sartre é que todo mundo está em má-fé regularmente; a prática é reconhecimento e retomada, não vergonha.
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- Leve a sério que você não tem natureza fixa
Pare de tratar sua personalidade, papel ou passado como algo dado — você está sempre em processo de se definir.
- Assuma responsabilidade radical pelas suas escolhas
Assuma cada escolha por completo — inclusive suas consequências não intencionais e as condições não escolhidas dentro das quais você escolheu.
- Escolha autenticamente — a partir dos seus próprios valores, não da expectativa
Faça escolhas que reflitam seus valores reais, e não o papel que outros lhe atribuíram.
- Permaneça com a angústia da liberdade
Quando o peso da escolha produzir vertigem, use-a como sinal — não como problema a evitar.
- Defina-se por ações, não por intenções
Você não é suas intenções nem sua autoimagem — você é o acúmulo do que realmente faz.
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