Interesses vs. Posições: O Núcleo da Negociação Integrativa
Descobrindo o porquê por trás do quê — e por que isso muda tudo em uma negociação
Interesses vs. posições na negociação, e por que isso importa
Uma posição é o que alguém diz que quer ("eu preciso de $80.000"); um interesse é o motivo pelo qual quer isso ("eu preciso cobrir minhas despesas e me sentir valorizado"). A percepção de Fisher e Ury em Getting to Yes é que posições em conflito direto costumam mascarar interesses compatíveis — e que negociar com base em interesses, em vez de posições, é a principal alavanca para criar acordos que satisfaçam as duas partes em vez de dividir a diferença. A razão estrutural pela qual isso é uma habilidade, e não um truque, é que posições são escassas por construção e interesses geralmente não são. Duas posições em uma dimensão — um preço, uma data, um cargo — só podem ser trocadas uma pela outra, então qualquer ganho é perda de outra pessoa. Interesses são plurais e pesados de forma diferente por cada lado, o que significa que podem ser trocados entre dimensões: você cede barato no que quase não se importa em troca do que mais se importa. O movimento não é suavidade, e não exige que o outro lado coopere — você pode inferir interesses a partir do que alguém defende e com que intensidade, e testar sua inferência em voz alta, sem que a outra parte precise adotar o método por conta própria.
A parábola de dividir a laranja é a ilustração fundacional de interesses vs. posições: duas pessoas brigam pela última laranja. Um acordo dá metade para cada uma. Mas uma queria o suco e a outra a casca — uma conversa sobre o porquê teria dado 100% para cada uma, não 50%. A barganha posicional é custosa porque trata toda negociação como soma zero quando muitas não são. Essas práticas desenvolvem a habilidade de escavar sob as posições até chegar aos interesses que realmente movem o comportamento. A parábola merece ser lida com atenção, porque a lição usual que se tira dela está levemente errada. Não é que existisse uma solução criativa e ninguém foi esperto o suficiente para vê-la — é que nenhuma das partes fez uma pergunta, e a resposta estava livremente disponível para quem perguntasse. Interesses geralmente não estão escondidos; simplesmente nunca são solicitados, porque uma negociação enquadrada como uma disputa faz com que perguntar por que a outra parte quer algo pareça uma concessão em vez do que realmente é, que é reconhecimento de terreno.
Práticas
- Pergunte "por quê" antes de propor qualquer solução
Entenda o interesse por trás de uma posição antes de gerar qualquer solução — soluções inventadas antes de entender os interesses geralmente resolvem o problema errado.
- Revele seus próprios interesses explicitamente — não apenas suas posições
Declarar o que você realmente precisa — não apenas o que está pedindo — abre a porta para soluções criativas que você não conseguiria imaginar pedindo.
- Mapeie os interesses dos dois lados antes de gerar soluções
Anote os interesses conhecidos e inferidos das duas partes antes de propor qualquer coisa — o mapa revela trocas que nenhuma posição isolada revelaria.
- Identifique interesses compatíveis para ganho conjunto
Quando os dois lados se importam com a mesma coisa — qualidade, reputação, prazo — acordos que atendem esse interesse compartilhado superam divisões.
- Troque entre questões onde cada lado tem prioridades diferentes
Dê à contraparte o que mais importa para ela; obtenha o que mais importa para você — o logrolling só é possível quando os interesses diferem.
- Distinga interesses substantivos, procedimentais e psicológicos
O interesse por trás de uma posição muitas vezes não é sobre dinheiro ou termos — pode ser sobre imagem, justiça ou controle.
Pratique isso com IX Coach
Conceitos relacionados
- Negociação Baseada em Princípios, na Prática
O framework de quatro elementos para chegar a acordos que se sustentam
- BATNA: Sua Melhor Alternativa a um Acordo Negociado
Poder de sair da mesa, alternativas realistas e por que seu BATNA é seu poder de negociação
- ZOPA: A Zona de Possível Acordo
Mapeando o espaço do acordo, identificando sobreposição, e sabendo quando nenhum acordo é o resultado certo
- Comunicação Não Violenta (CNV), de Forma Prática
Os quatro componentes, os mecanismos por trás deles e uma leitura honesta da evidência